• Flavia Pinheiro Zanotto

Sabe o que é citação coercitiva?



Para um pesquisador, publicar o seu trabalho não só representa uma obrigação – é dever do pesquisador divulgar os seus resultados e assim avançar o conhecimento científico em seu campo de estudo. Além do mais, publicar aumenta a credibilidade do pesquisador, facilitando a obtenção de fundos para pesquisa, alunos e progressão em sua carreira. É sempre importante salientar que para um pesquisador, ter os seus artigos citados é tão importante quanto publicar.

Desde 2014, um dos mais importantes indicadores de citações e impacto no meio científico chamado ”Pesquisadores Altamente Citados” é publicado anualmente pela Web of Science Group, parte da Clarivate Analytics. A lista publicada em 2019 inclui 23 ganhadores de prêmios Nobel, 6 a mais do que em 2018. Também inclui na lista cientistas Laureados por Citações – indivíduos reconhecidos pela Web of Science Group, através de análise de citações, como potenciais ganhadores do Prêmio Nobel. Graças à sua imensa importância no meio acadêmico, inúmeros casos de manipulação de citações estão sendo investigados. A manipulação de citações não representa uma prática nova e o aumento de citações beneficia tanto os cientistas como também as revistas científicas. No mundo da publicação acadêmica e da academia, quanto maior o fator de impacto, melhor. Essa combinação, a pressão para aumentar as publicações, juntamente com a crescente dificuldade de publicação, pode motivar os pesquisadores a violar as normas de pesquisa. Esse comportamento se manifesta de diferentes formas: * Um pequeno grupo de acadêmicos ou cientistas pode citar as publicações uns dos outros com uma frequência muito maior do que seria normalmente o caso em campos maiores. E mesmo nesses campos maiores, projetos colaborativos significam que altas taxas de inter-citação entre os membros do grupo de pesquisa estão longe de ser incomuns. * Duas revistas acadêmicas ou científicas que publicam material de pesquisa semelhante também podem se citar frequentemente, e há uma variação significativa nos padrões de citação entre as disciplinas. Um conjunto de dados publicado pela revista PLOS que lista cerca de 100.000 pesquisadores, mostra que pelo menos 250 cientistas acumularam mais de 50% de suas citações de si mesmos ou de seus co-autores, enquanto a taxa média de auto-citação é de 12,7%. * Um estudo acadêmico demonstrou que aproximadamente 20% de cientistas experimentaram citações coercitivas (quando os editores ou revisores direcionam os autores a adicionar citações aos artigos submetidos para as revistas) e mais de 50% disseram que adicionariam citações supérfluas a um artigo submetido a uma revista, na tentativa de aumentar a sua chance de publicação. Um exemplo seria uma revista de alto impacto e o editor sugere que o autor do artigo coloque mais artigos da revista em questão para que o artigo submetido seja aceito. Com palavras mais amenas, claro... (veja). Existem, porém, formas de aumentar ou diminuir o impacto da manipulação de citações. Entre elas, podemos citar: 1. Use palavras-chave que os pesquisadores do seu campo de busca utilizam e repita no título e resumo. 2. Faça o seu manuscrito facilmente acessível, publicando em um repositório.

3. Use mídias sociais. Forneça links para seus documentos nas mídias sociais (por exemplo, Facebook, Twitter, Academia.edu, ResearchGate, Mendeley) e uma página de perfil da universidade. 4. Mostre o seu trabalho em congressos. Embora as apresentações em conferências não sejam citadas por outras pessoas, isso tornará sua pesquisa mais visível para comunidades acadêmicas e de pesquisa.

5. Somente cite o seu trabalho anterior quando for relevante para um novo manuscrito.


Vale ficar atento às recomendações...


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