O QUE SÃO "REVISTAS-ESPELHO"?

March 26, 2019

 

O debate na comunidade de pesquisa sobre se e como fazer a transição do modelo de subscrição para o acesso aberto (AA) continua em alta. Recentemente, "revistas-espelho" foram propostas como uma possível solução para este debate. As revistas-espelho são versões completas de AA de periódicos por assinatura. Por exemplo, a Elsevier lançou a Water Research X, que tem o mesmo conselho e escopo da Water Research. Enquanto alguns dizem que oferecem uma solução para os pesquisadores que querem publicar em periódicos de boa reputação, outros não têm tanta certeza. Neste blog, examinamos os prós e contras das revistas-espelho e seu papel na expansão da publicação por AA.

A evolução dos periódicos híbridos de acesso aberto
O número de publicações de AA aumentou nos últimos anos graças ao crescente uso da Internet e um esforço para tornar a ciência mais transparente e acessível ao público. O acesso aberto permite que os leitores acessem os trabalhos acadêmicos sem ter que pagar uma taxa de assinatura. Isso tem mostrado resultados positivos em termos de citações e leitores (veja discussão anterior em nosso blog).

No entanto, a maioria dos periódicos bem conhecidos e procurados ainda são por assinatura, já que os editores estão hesitantes sobre o que uma transição para o AA completo significará para seus resultados finais. Rush Holt, executivo-chefe da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), que edita a prestigiosa revista Science, afirmou que acha difícil imaginar como a Science sustentaria sua existência sem assinaturas. Revistas híbridas, que oferecem artigos sobre AA e acesso pago, surgiram como um esforço para manter os dois lados felizes.

Plano S Contra-Ataca
O Plano S visa o AA completo e imediato para publicações de pesquisas financiadas com fundos públicos (veja opinião na PNAS). Exige que todos os pesquisadores que recebem financiamento dos membros participantes publiquem seu trabalho de acesso aberto até 2020. O Plano S considera o acesso livre híbrido como não em conformidade a seus princípios porque os periódicos ainda estão cobrando pelo acesso a alguns de seus artigos. Em resposta, as revistas espelho surgiram como uma possível solução para os editores. No entanto, o Plano S recentemente considerou revistas espelho como não compatíveis com seus princípios, a menos que sejam parte de um acordo transformador. O Plano S coloca uma forte ênfase na transparência e, portanto, afirma que os contratos de tais acordos precisam ficar publicamente disponíveis. Os contratos usando revistas espelho não podem durar mais do que três anos e devem ser concluídos até 2021. 

As revistas espelho são a resposta?
Uma revista espelho é um novo periódico afiliado a um periódico existente; tem o mesmo nome do periódico original junto com um “X” como sufixo, mas é inteiramente de AA.  Os periódicos têm ISSNs separados e são publicações separadas. No entanto, ambos compartilham os mesmos objetivos e escopo, o mesmo corpo editorial e as mesmas políticas editoriais de revisão por pares. Os autores submetem seus manuscritos através de um sistema compartilhado para revisão por pares. Uma vez aceito, o autor pode optar por publicar na revista por assinatura ou na de AA.

No entanto, Martin Paul Eve, professor de literatura na Universidade de Londres, critica as revistas-espelho como um caminho para "dobrar o lucro" para os editores. Em outras palavras, os editores são pagos duas vezes; uma vez por assinantes e uma vez por autores pagando taxas de processamento de artigos para publicar em AA. O principal objetivo do Plano S é remover o fardo financeiro ao acessar a pesquisa publicada e, portanto, eles consideram as revistas espelho fora de conformidade.

Vejam a opinião de alguns cientistas brasileiros.

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